Há muito que não falava de religião, e há muito também que não escrevia um post inteiramente digno da categoria “Ode“. Pois bem.. hoje apetece-me, aqui vai.
A notícia: Surgiu na NewScientist com o título “Christians battle each other over evolution“. As novas descobertas a nível arqueológico, nomeadamente o fóssil da Ida, ja estão a causar o seu impacto. Da notícia saem dois nomes de duas instituições, ambas Teístas e Cristãs: The Discovery Institute (DI) e a BioLogos Fundation (BLG). A DI lançou agora um site destinado a esclarecer a problemática, “Podemos ser crentes (cristãos) e aceitar a evolução? Ao que toca à DI a resposta é um redondo NÃO. Este site surgiu como resposta ao novo site da BLG, da autoria de Francis Collins, geneticista e antigo responsável pelo Projecto do Genoma Humano, acredita que ambos os lados podem ser considerados em simultâneo.
Afinal, para que lado puxar a corda?
O comentário: É curioso notar que sempre que se tenta fundir a religião, ou qualquer superstição, com o conhecimento científico é sempre a parte religiosa que acaba por se moldar. A ciência fica sempre tal e qual estaria quer a religião estivesse lá ou não. Fará sentido em termos intelectuais, ou filosóficos, estar constantemente a alterar um ideia de modo a, todo o custo, mantê-la viva? Ou será mais lógico, construir uma ideia de novo com base no conhecimento recentemente adquirido? Sinceramente não sei, fico à espera do comentário de alguém.
Foi finalmente descoberta, o que deve ser até hoje, a peça mais importante do puzzle da evolução. Um fóssil de 47 milhões de anos correspondente a um macaco que fará a ligação entre os humanos e as restantes espécies ancestrais.
Fica aqui o link para a notícia que serviu de referência para este post.
O fóssil descoberto está 95% completo e corresponde a um ‘macaco lêmure’. A magnífica criatura foi apelidada de Ida e considerada pelas peritos como a ‘oitava maravilha do mundo’.
Os investigadores dizem que a descoberta desta espécie de transição finalmente confirma a teoria da Evolução de Charles Darwin. Ideias que outrora foram demasiado arrojadas poderão agora um lugar mais cativo na compreensão de todos nós.
“Esta pequena criatura mostrar-nos-à a nossa ligação com o resto dos mamíferos” – Sir David Attenborough.
A equipa do Professor Jorn Hurum, do Museu Nacional de História da Noruega, passou os últimos dois anos a pesquisar secretamente esta ‘pequena fêmea de macaco’.
“Com as suas unhas do tipo humanas em vez de garras, e os dedos dos pés oponíveis, ela é colocada na raíz da evolução humana, onde os primeiros primatas desenvolveram as características que os levariam a tornar-se em nós.”
“Outra importante característica é a forma do osso de ‘talus’ no seu pé, onde os humanos ainda o têm nos seus pé milhões de vidas depois.”
“Através de datação radiométrica das pedras vulcânicas de Messel, eles descobriram que a Ida viveu há 47 milhões de anos na era do Eoceno.”
Durante este período, as primeiras baleias, cavalos, morcegos e macacos emergiram, e os primeiros primatas dividiram-se em dois grupos – um viveu maioritariamente como lêmures e outro como macacos, símios e humanos.
Os peritos concluíram que a Ida não foi simplesmente um lêmure mas foi um ‘lêmure macaco’, mostrando uma mistura de ambos os grupos, o que a coloca na mismissima ramificação da árvore humana.”
“Descendentes de símios? Meu querido, vamos esperar que isso não seja verdade, mas se for, vamos rezar para que não seja do conhecimento comum.” – A esposa do Bispo de Worcester a Charles Darwin.
Produzido por Sierra Madre Games, uma empresa estado-unidense que dentro do seu reportório encontramos outros jogos +/- com uma temática semelhante.
O Origins: How We Became Human (Origens: Como nos tornamos humanos) consiste em escolhermos uma raça hominidea com o intuito de a evoluirmos e sobrevivermos perante a competição directa com os nossos adeversários.
No início podemos escolher entre várias espécias das quais o Homo erectus pekinensis, o Neanderthal, o Homem de Flores, Homo heidelbergensis, e o Cromagnon. Numa primeira fase o objectivo centrar-se-à por evoluirmos as capacidades mentais do nosso hominídeo, bem como as capacidades manuais e de fala. Posteriormente partimos com o nosso ser para a expansão mundial e influencia por todas as regiões do mundo.
Com o desenrolar do jogo os jogadores devem de procurar as melhores zonas habitáveis, sortear as alterações climatéricas (Como a idade do Gelo), aprender a cultivar plantas, domesticar gado… Como na vida real ganha aquele que melhor se adaptar ao meio e desenvolva mais as habilidades relacionadas com o cérebro.
Uma forma muito simples e atractiva para ensinar a evolução a todos…
“O Deus que não estava lá” (The God Who Wasn’t There) é um documentário criado por Brian Flemming. Brian qustiona a existência de Jesus Cristo como uma personagem real, expondo algumas evidências que apoiam o carácter mitológico de Jesus.
Brian foi em tempos Cristão e agora é autor deste documentário.
O filme é pequeno e bastante leve de se ver.
Este ano tem sido um ano de muita controvérsia ‘Darwin vs. Deus’, algo que nunca tinha visto. Juntamente com a polémica gerada com a primeira parte de Zeitgeist, O Filme, espero que este filme traga de novo à tona a necessidade de repensarmos o que já ’sabemos’.
Ao passar pelo Atheist Movies dei de caras com este clip. Não resisti a transcrever para aqui.
O filme mostra por animção computacional como o ADN é replicado (copiado) no núcleo celular das nossas células.
Aparecem também imagens reais da devisão celular.
A maquinaria molecular que leva a cabo esta operação é estonteante. A velocidade a que o processo ocorre e a complexidade de movimentos é astronómica. Ainda mais se tivermos em consideração que tudo isto se passa no interior de uma célula onde todo o seu conteúdo está ‘atafulhado’ lá dentro e muitos outros processos ocorrem mesmo ao lado.
Possivelmente este tipo de animações computarizadas seja o futuro do ensino. A junção dos livros de texto e das novas animações gráficas torna o estudo da ciência muito mais rápido e certamente ainda mais apelativo, ou pelo menos capaz de alcançar um público maior. Imaginem como seria se em vez do Telejornal nos presentear com as transferências do Vitória de Guimarães ou do Olhanense no mostrasse uma animação como esta? Acredito que a visão das pessoas alargar-se-ia. O blog Plus Demain dá especial destaque este tipo de investigação.
Para quem está mais dentro do tema, não há dúvida que o futuro das nanomáquinas passa pela compreensão e pelo estudo das maquinaria natural. Talvez um dia possamos nós desenvolver completamente este tipo de maquinaria molecular. Fica aqui um nome de referência: David S. GoodSell.
Apesar desta série ter o objectivo de ser diária é por vezes muito difícil de manter a assiduidade..
Começámos a quinta-feira passada com uma breve introdução aos órgãos vestigiais. Vou hoje aprofundar um pouco mais o tema com mais alguns exemplos.
Ao longo dos tempos, conforme a selecção natural actuava sobre o nosso ”primitivo” corpo, certas características deixaram de ser necessárias tendo por isso desaparecido. Contudo, alguns sinais destas características podem ainda ser visíveis nos nossos corpos. É a este tipo de características que designamos de vestigiais.
Os nossos posts mais visto neste Blog são, de longe, os posts relacionados com a evolução das espécies e Darwin. Num comentário a ‘Parabéns Charles Robert Darwin‘, Luana disse que o que aqui publicamos não acrescenta nada de novo ao que já por ai se fala. Concordo, acho que os pontos mais pertinentes não são mesmo focados por norma.
Para tentar preencher esta falha decidi, a partir de hoje, levar a cabo uma série de posts onde tentarei deixar no ar questões pertinentes sobre, exactamente, o confronto Criacionismo e Evolução.
Espero acrescentar assim nova informação ao que já é maioritariamente públicado e sabido, que, por vezes, é esquecida neste tipo de conversas.
Esta noite deu um documentário na RTP2 com o nome de Caçadores de Vírus, que falava em como os vírus nos afectam e são importante no nosso dia a dia.
Antes demais vou explicar por alto o que é um vírus. Nem todos os vírus são maus para nós, os vírus existem em tudo o que nos rodeia, tocamos ou interagimos, quando nos falam de vírus lembramo-nos logo do vírus da gripe ou do HIV. Muitos deles são inofensivos e só afectam certos grupos de animais. Os vírus são básicamente estruturas proteicas que dependem das células para se multiplicarem, são por isso de tamanho muito inferior a uma célula. Existe ainda uma grande controvérsia sobre se os vírus serão sistemas vivos ou não pois não possuem um metabolismo próprio.
Os vírus são então transportados de alguma forma para as células compatíveis com o próprio vírus (contacto, inalação, ingestão ou através do sangue), aí estes injectam na célula hospedeira parte do seu genoma (RNA ou DNA) e enzimas virais, que, aproveitando a maquinaria celular extra, formam novos vírus que depois se espalham novamente pelo corpo, proliferando assim pelo organismo. A célula geralmente é destruida mas há casos em que isso não acontece.
Uma das áreas de científicas que me fascina mais pesquisar e saber é a investigação das zonas cerebrais responsáveis pelo nosso comportamento e actividade motora. Por outras palavras, o mapeamento do cérebro.
Uma técnica que tem revolucionado o mundo científico, especialmente nesta área, é a Imagem de Ressonância Magnética (MRI), em particular a sua vertente funcional (fMRI). Esta técnica permite-nos ver, em tempo real, as zonas do cérebro que estão activas quando se pede ao paciente para desempenhar uma determinada função. Posto isto, vamos ao que interessa.
Fé e ciência travam hoje um debate antigo. Como preservar a palavra de deus diante dos avanços tecnológicos? No Vaticano, religiosos católicos estão discutindo a versão bíblica sobre a criação da vida na Terra e as teorias evolucionistas do cientista inglês Charles Darwin.
“A religião pode não ser a única razão pela qual as pessoas são levadas a ser criacionistas e a acreditar no design inteligente, estudos psicológicos sugerem.”
Foi já documentado que as crianças têm por preferência um pensamento teleológico como explicação para as eventos de causas Naturais. «As borboletas têm asas para voar» ou «as pedras são ásperas para os animais se coçarem».
É também sabido que em adultos com escolaridade, independentemente das suas crenças, este tipo de pensamento teleológico é abandonado como explicação para ditas causas Naturais.
Partindo deste conhecimento, o estudo quis averiguar até que ponto a educação apaga as tendências teleológicas ou se, ao invés disso, o nosso cérebro é por omissão teleológico.
The God Delusion, de Richard Dawkins, ou em português A Desilusão de Deus publicado na editora Casa das Letras.
Um livro que me mostrou que é possivel argumentar racionalmente contra a crença religiosa e supersticiosa. Um livro que não deixa lugar para palavras ou argumentos baseados em trocadilhos ou interpretações incorrectas de teorias muito válidas. Como por exemplo, o FACTO da evolução.
De forma magistralmente bem argumentada, Dawkins mostra-nos como a mente religiosa perturba a sociedade actual e como nos impede de ser unos uns com os outros. A cima de tudo, o autor apela a um elevar da nossa consciência e mostra-nos através de exemplos como a nossa consciência é muito limitada inclusivé para questões práticas banais.
Não seria importante imprimir de vez em quando mapas do mundo com o polo Sul na parte de cima para nos relembrarmos que o hemisfério Norte não é o centro do mundo e que de modo algum fica para cima? Foi só um exemplo.
Dawkins batalha incesantemente na atrocidade que é a doutrinação de uma criança desde a sua nascença. Entupimos as nossos pequenos com crenças e mais superstições, ensinando-lhes o que pensar e não como pensar. Isto certamente deve ser combatido! Inclusivé, é apresentado um caso de uma rapariga que após ser molestada aos 7 anos de idade continuava a ter mais pesadelos com o Inferno a que pudesse ir parar após a sua morte do que por ter sido molestada. Felizmente, essa outrora criança é agora uma mulher sensata que conseguiu sair literalmente dessa prisão Infernal e ajuda outras pessoas a fazer o mesmo!
O que escrevi a cima nem sequer chega a um mini-resumo muitíssimo pobre do que é o livro. É seguramente um livro para todos os públicos, desde ateus a religiosos. Onde a posição do autor é, sem margem para dúvidas, uma posição de combate ao pensamento religioso.
A baixo ficam os títulos principais dos capitulos, traduzi-os diractamente do meu indice em inglês. Possivelmente a versão em português poderá ter uma tradução ligeiramente diferente. Os capitulos subdividem-se em subcapitulos com titulos mais especificos dentro do tema.
Capítulo 1 – Um profundo religioso não-crente
Capítulo 2 – A Hipotese de Deus
Capítulo 3 – Os Argumentos para a Existência de Deus
Capítulo 4 – O porquê de quase certamente não existir Deus
Capítulo 5 – As Raízes da Religião
Capítulo 6 – As Raízes da Moralidade: porque é que somos bons.
Capítulo 7 – O livro do ‘bem’ e a emergente moral Zeitgeist
Capítulo 8 – O que está mal com a religião? Porquê ser tão hostil?
Capítulo 9 – Infância, abuso e o escapar da religião.
Capítulo 10 – Uma lacuna muito necessária.
“Não é suficiente ver que um jardim é bonito sem ter de acreditar que existem fadas por de baixo dele?” – Douglas Adams (1952-2001)
Faz hoje (12 de Fevereiro de 1809) em Shrewsbury, Inglaterra que nascia o quinto filho de Robert Darwin e sua esposa Susannah Darwin.
Cedo se interessou pelo reino animal e míneral, aos 8 anos já coleccionava insectos, plantas e mínerais. Durante a sua juventude e após uma breve passagem como estudante de cirurgia na universidade, Darwin já detinha conhecimentos de taxidermia, geologia e classificação de plantas.
Devido aos atritos com o seu pai porque este queria que Darwin seguisse os seus passos como cirurgião, aos 19 anos a sua carreira mudou drasticamente para a de clérigo. Na época os clérigos recebiam uma pensão que lhes permitia viver abastadamente e lhes era permitido os estudos naturalistas, era uma das suas obrigações, “explorar as maravilhas da criação de Deus”. Darwin viria a mudar o seu curso máis uma vez para História Natural, na universidade de Henslow. Após um brilhante ensino de estudos teológicos e geológicos onde foi um dos melhores alunos, a universidade o recomendou como sendo um dos acompanhante de expedição do barco HMS Beaggle, numa viagem de 2 anos com o objectivo de mapear a costa da América do Sul. Viagem essa que viria a durar 5 anos e que moldou para sempre muitas áreas da ciencia.
Nessa viagém pode constatar várias teorias da qual tinha lido ou ouvido durante o seu tempo de estudante irrequieto. Fósseis de conchas encontradas por Darwin na Patagónia do Chile e nos topos montanhosos dos Andes, vieram a corroborar com as idéias de Charles Lyell de que a terra ao longo do tempo ia-se elevando e os sedimentos formavam pequenos degráus com o passar dos tempos.
Mas foi nas ilhas Galápagos que a famosa teoria da origem das espécies através da selecção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida tomou forma, Darwin apercebeu-se que as cotovias, tentilhões e tartarugas variavam de ilha para ilha, de forma a adaptarem-se da melhor forma ao seu redor. Numa ilha, onde só havia vegetação rasteira, as tartarugas tinham uma carapaça baixa, enquanto que noutra ilha proxima onde a vegetação era mais alta as carapaças tinham a forma de um “V” invertido, para que o animal podesse esticar o pescoço e alimentar-se, o mesmo se passavam com os tentilhões onde as diferenças eram predominantes nos bicos.Já na Austrália ao vislumbrar o ornitorrinco afirmou que “Um incrédulo… poderia dizer que ’seguramente dois criadores diferentes estiveram em acção’”
Nesta altura Darwin ainda tinha uma mentalidade criacionista, sendo seguidor das ideias de Paley, onde a perfeição da natureza era uma prova de que só podia ser germinada atravez de mão dívina. No entanto a sua descrença inicio-se a bordo do Beaggle, quando vislumbrou uma vespa paralizando uma larva e a introduzir os seus óvos para que esta servisse de repasto à prole quando eclodisse. Enquanto redigia “A Origem das Espécies” chegou mesmo a escrever a religião como uma estratégia tribal de sobrevivencia. Com o passar do tempo a linha ténua que o separava do dívino tornou-se mais curta e a morte de sua filha Annie em 1851 foi a machadada fínal na questão. Continuando no entanto a ajudar benéficamente a sua igreja local, nos domingos acompanhava a sua família à igreja mas nunca participava nas liturgias, ficando de fora nos jardins a disfrutar da natureza e a raciocinar acerca das suas teorias.
Darwin só viria a publicar o seu livro em 1859, 50 anos após o seu nascimento, e apenas sobre grande reflexão acerca do tema e discussão insessante com os maiores cientistas da época.Hoje em dia a sua teoria não só é aplicada na natureza como também na ecónomia e na sociedade com o chamado “Darwinismo Social”. No seu leito de morte em 1882 Darwin admitiu que nunca se teria tornado Ateu, mas sim um Agnóstico.
A teoria de Darwin de que evolução ocorreu por meio de selecção natural mudou a forma de pensar em inúmeros campos de estudo desde a Biologia à Antropologia. Seu trabalho estabeleceu que a evolução havia ocorrido não necessariamente por meios dívinos ma sim atravéz da seleção natural e sexual. Outros antes dele já haviam esboçado a idéia de selecção natural, ainda em vida, Darwin reconheceu como tal os trabalhos de William Charles Wells e Patrick Matthew que ele e praticamente todos os outros naturalistas da época desconheciam quando ele publicou a sua teoria. Contudo, é claramente reconhecido que Darwin foi o primeiro a desenvolver e publicar uma teoria científica de Selecção Natural e que trabalhos anteriores ao seu não contribuíram para o desenvolvimento ou sucesso da Selecção Natural como uma teoria testável.
Apesar da grande controvérsia que marcou a publicação do trabalho de Darwin, a evolução por selecção natural provou ser um argumento poderoso contrário às noções de criação divina e projecto inteligente comuns na ciência do século XIX. A idéia de que não mais havia uma clara separação entre homens e animais faria com que Darwin fosse lembrado como aquele que removeu o homem da posição privilegiada que ocupava no universo. Para alguns de seus críticos, entretanto, ele continuou sendo visto como o “homem macaco”.