O livro dos livros?

Vou-vos aqui mostrar um pequeno excerto de um dos documentários que mais me marcou até à data…

O excerto faz parte do documentário “The root of all evil?” de Richard Dawkins, e tudo o que está aqui transcrito foi confirmado por mim através da pesquisa na Biblia, sem continuar com rodeio cá vai disto: (PS: a tradução é minha seguindo as linhas de uma outra tradução já existente)

Certamente não seria tão mal, crer em códigos morais transmitidos para nós pela bíblia. Não nos dá a bíblia um marco moral para viver? Bem, não. Os textos santos são de origem e veracidade duvidosas, e com contradições internas. E quando olhamos de perto encontramos um sistema moral que qualquer pessoa civilizada de hoje reconheceria como venenoso.
O antigo testamento está em cada igreja e sinagoga do mundo, e é a raiz do Judaísmo, Cristanismo e Islão.

Deutrónimos 13:6:
Se o teu irmão, o filho do teu pai ou da tua mãe, ou teu filho ou filha, ou a esposa que abraças, tratar de te seduzir em segredo dizendo: Vamos e sirvamos a outros deuses!

Este é o concelho de Deus sobre o que fazer com um amigo ou familiar que te sugere que creias noutras divindades:

Deutrónimos 13:9-10:
Mas certamente o matarás, a tua mão será a primeira contra ele para o matar, e depois a mão de todo o povo, e o apedrejarás até que morra, já que ele tentou de te desviar de Deus.

O Deus do antigo testamento deve ser a personagem mais desagradável de toda a ficção. Zeloso e orgulhoso, inconsequente, vingativo, injusto, implacável, racista, limpador étnico, levando os seus crentes a cometer actos de genocídio. Se Deus não é um bom exemplo moral quem é? Abrão, o fundador das três grandes religiões monoteístas? O homem que voluntáriamente oferecia o seu filho Isaac em sacrifício? Talvez não… Que tal Moisés, cujas tábuas diziam “Não matarás”? Mas segundo o livro de Números ele se enfureceu por causa da piedade dos israelitas pelos midianitas conquistados. Ordenou matar todos os homens e todas as mulheres anciãs, seguindo de:

Números 31:18:
Porém, todas as jovens que não conheceram nenhum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós.

Como esta história de Moisés é moralmente distinguível do ataque de Hitler à Polónia, ou do massacre aos curdos por Saddam Hussein?

Então deixemos Moisés. Há personagens menores com dilemas morais mais cotidianos. Talvez eles proporcionem um melhor modelo a imitar.

No livro de Juízes, um sacerdote viajava com a sua esposa. Passaram a noite na casa dum ancião. Mas durante o jantar, uma multidão veio para exigir que o anfitrião lhes entregasse o seu convidado masculino.

Juízes 19:22 :
Trazei cá para fora o homem que entrou em tua casa, para que oconheçamos”.

Sim, no sentido “bíblico”.
Bem, o ancião respondeu:

Juízes 19:23-24 :
Irmãos meus, não se portem assim. Aqui estão a minha filha virgem e a concubina do homem, fá-las-ei sair agora, humilhai-as, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos, porem a este homem não façais tal loucura

Então, desfrutem violando e humilhando a minha filha, mas mostrem respeito ao meu convidado já que é homem. Mas além do que esta estranha história pode significar, diz-nos algo sobre o status das mulheres nestas sociedades religiosas.

Agora, desde já, bons cristãos protestariam: todos sabem que o antigo testamento é desagradável. O novo testamente de Jesus, dizem eles, “Desfaz o dano e torna tudo certo.” Sim, não há dúvida de que de um ponto de vista moral Jesus é um enorme progresso. Já que Jesus, ou quem quer que escrevesse as suas linhas, não se conformava com sacar a sua ética das escrituras com as quais havia sido criado. Pois então, tudo deu para o torto.

O coração da Teologia do novo testamento, inventava depois da morte de Jesus, que esta é uma cruel doutrina sadomasoquista de tormentos pelo pecado original. A ideia é que Deus se encarnou num homem, Jesus, para ser horrorosamente torturado e executado para redimir todos os nossos pecados. Não só o pecado original de Adão e Eva, senão também futuros pecados, quer os cometamos ou não.
Se Deus queria perdoar os nossos pecados porque não simplesmente o fez? A quem quer impressionar? Pelos vistos a si mesmo, já que ele é juiz e jurado, assim como a vítima da execução.

Segundo a visão científica da pré-história, Adão, o suposto autor do pecado original, em primeiro lugar, nunca existiu, um embaraçoso feito que destrói a permissa de toda a retocida e cruel teoria de Paulo. Ah, mas só era uma história “simbólica” certo? Simbólica? Então Jesus submeteu-se à tortura e foi executado por um pecado simbólico de um indíviduo não existente? Ninguém, a não ser pela fé, poderia negar que isto é absolutamente demente.

7 Responses to O livro dos livros?

  1. Pingback: O livro dos livros? Parte 2 « Ode Triunfante

  2. Marco Roberto diz:

    O Prof. Richard Dawkins certamente é um homem inteligente, e sobretudo honesto. Um dos melhores livros que eu li foi The Blind Watchmaker. Aprecio muito quando alguém consegue explicar temas dificeis ao publico comum.

    Apenas um comentário, humilde, sobre o seu ponto referente ao livro de Juízes 19:23 a 24.
    O fato de este relato estar na Bíblia, não significa que o escritor, ou os Israelitas, ou os Cristãos, ou Deus concordar com a sugestão do “ancião”, e com o que aconteceu a seguir.

    O jornal hodierno traz muito mais atos violentos. Isto não significa que seus leitores, anunciantes, ou editores concordem com a ação seja da policia, dos bandidos, com a reação das vitimas e etc…embora algum escritor eventualemnte deixe escapar sua visão pessoal.

    No caso da Bíblia, é apenas um relato cândido (no sentido de sincero, verdadeiro) de um ato extremo de violência que aconteceu naqueles dias entre um povo “pactuado com Deus”. Nenhum leitor da Bíblia concorda com nenhuma das partes, porem o acontecimento é relatado candidamente, e nos dá uma idéia da situação de violência naquela época especifica.

    Há um relato parecido no Gênesis, sobre Ló, o caso é o mesmo, e em muitos lugares também, de modo que esta tipo de comentário já é antigo e acredito equivocado.

    Dependendo do ponto de vista a candura é uma qualidade e não defeito ! Não encontrará muita (na verdade nenhuma) candura nas muitas biografias autorizadas comuns na livraria.

    De qualquer modo agradeço e me desculpo pelo tamanho do texto !

    Um abraço !
    Teu blog já esta no meu Google Reader !

  3. mastiphal diz:

    Marco Roberto, concordo contigo. Mas então não devia de ser toda a biblia lida candidamente?
    Jesus pode muito bem não passar duma alegoria para descrever como nos devemos de guiar, seguindo os as ideologias do bem.
    Hoje os 10 mandamentos secalhar seriam 50 ou até mesmo 100, o génesis está atulado de alegorias e ideias, a própria biblia sofreu alterações de tradução ao longo dos anos e hoje pode muito bem já não ter o significado que teria nos primórdios.
    É engraçado como cada religião segue os ensinamentos da biblia de forma diferente derivado dessa ambiguidade de interpretações e depois acusam-se umas às outras de serem religiões falsas quando numa regra geral as questões lógicas são todas as mesmas.

  4. mastiphal diz:

    Agradeço o comentário, mas esse link não me remete para lado nenhum.

  5. Luís Poço diz:

    Malta! tenho uma pergunta para que vocês me possam ajudar.
    Porque é que Jesus algumas vezes diz-se ser filho do Homem e outras Filho de Deus?
    Eu já cheguei a uma conclusão mas não quero ser precipitado.

  6. Luís Poço diz:

    uma observação!
    Reparem o povo que Moises teve de lidar. Na época o seu povo vivia na Barbarié. Qualquer ensinamento Moral seria infrutifero, pois o povo não compreenderia. Os dez mandamentos, podemos toma-los como dez premissas, Básicas e intrínsecas da moral. E que qualquer homem de “Bem” pode fácilmente reconhecer. Então, creio que Moises teve necessidade de trasmitir um Deus castigador para travar o povo com medo. “Se incorres em falta, serás castigado”.
    Acontece o mesmo com as crianças a quem capaz de compreenderem certos deveres, prometemos castigos ou recompesas em caso de Mérito ou desmérito de suas acções.

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