O que é o Conhecimento?

Conhecimento

Neste argumento vou apresentar a minha reflexão sobre o conhecimento, que tenho vindo a estudar, vou dividi-lo por partes, pois tornou-se um estudo bastante complexo e diversificado, por isso não quero criar um discurso excessivamente prolixo.

O que é o conhecimento? Muitos de nós utilizamos vezes sem conta este termo e o seu conceito está bem presente no nosso quotidiano. O conhecimento é o facto mais banal e misterioso, muitas pessoas, mesmo instruídas, acumulam durante toda a sua vida um número infinito de conhecimentos sem nunca reflectirem sobre o próprio acto de conhecer. O facto de, por vezes, não existirem respostas claras para uma dada situação, ou as ideias sobre ela se desdobrarem em múltiplas teorias, leva-nos necessariamente a perguntar pelos fundamentos e limites do conhecimento. Será possível conhecer? Haverá verdade no conhecimento? De facto, todos nós temos uma opinião sobre algo que traduzimos em conhecimento, mas teremos nós a certeza desse conhecimento ser verdadeiro?

Situação Cognitiva do conhecimento

Para que se realize o acto de conhecer é necessário uma correlação entre sujeito e objecto, a função do sujeito consiste em apreender o objecto, e a do objecto em poder ser apreendido pelo sujeito e em sê-lo efectivamente. Imaginemos que eu sou o sujeito, e o objecto uma bola, eu não posso captar as propriedades da bola, para captá-lo terei de sair fora de mim (transcender), mas não posso ter consciência do que é apreendido sem entrar em mim, isto é, sem me reencontrar na minha própria esfera. Existe sempre uma correlação entre o sujeito e o objecto, daí resulta uma representação mental criada no sujeito que lhe é subjectiva e imanente provocando alteração pelo acto do conhecimento, no objecto nada de novo foi criado, mas no sujeito, nasce a consciência do objecto com o seu conteúdo, imagem do objecto.

Etapas/momentos do conhecimento

O processo do conhecimento envolve vários elementos e desenrola-se em diversas etapas. Considera-se como elementos necessários para a construção do conhecimento, a sensação, a percepção e a elaboração racional dos dados perceptivos.

A sensação consiste na transmissão de um sinal sob a forma de influxo nervoso, desde o órgão sensorial até a um centro de recepção e de descodificação. Assim a sensação é a via através da qual entramos em contacto com o mundo, por isso, é a fonte das informações que nos chegam acerca do que se passa à nossa volta ou dentro de nós.

A sensação e a percepção estão interligadas. A percepção é o processo de interpretação e organização desses dados imediatos, de modo a construir uma representação imagética do objecto. Por exemplo; um grupo de pessoas que vá passear para uma floresta vê e responde de maneira diferente ao mesmo meio. O caçador vê, interpreta e descodifica o que vê tendo em conta os seus interesses de caçador. O pintor vê e valoriza os tons e a organização dos elementos tendo em conta aspectos objectivos e estéticos. Um especialista em botânica verá e valorizará a variedade das espécies existentes, e o modo como todo o sistema interage. Outra pessoa que goste de passear e gozar a frescura e calma ou o ar despoluído verá e valorizará estes aspectos.

Que conclusão podemos tirar então? Que, de facto, a percepção não depende exclusiva e objectivamente dos dados sensoriais fornecidos pelos sentidos, não faz de modo análogo o registo como uma máquina fotográfica. Nós damos relevância a alguns dados em detrimento de outros que também chegam ao mesmo tempo à nossa mente. Assim pode-se dizer que a percepção depende dos estímulos que activam os nossos órgãos dos sentidos, mas também depende da actividade da pessoa que organiza e configura esses dados, de acordo com as suas estruturas mentais: aprendizagens, experiências passadas, motivações, aptidões e até personalidade.

A própria Ciência descobriu que não é possível confiar inteiramente nos nossos sentidos, pois estes podem enganar-nos. Vemos um dedo tordo se o colocarmos dentro de um copo de água e, na realidade ele continua “intacto”. A Ciência também descobriu que há realidades invisíveis aos sentidos (o próprio ar, determinadas frequências de som ou comprimentos de onda de luz, etc.). Parece então que o nosso conhecimento vai para além do mero conhecimento sensorial e perceptivo, Há outro nível e outra etapa de construção do conhecimento, o conhecimento racional.

Partindo dos dados perceptivos, e para conferir uma interpretação mais rigorosa e adequada ao mundo real, elaboramos representações mentais abstractas – os conceitos. A razão relaciona os dados, compara, distingue, abstrai, generaliza, estabelece, relações (de implicação, de incompatibilidade, de causalidade, etc.) num processo infinito de busca da verdade e de um conhecimento objectivo e universal. Assim o conhecimento exige uma elaboração de representações mentais abstractas e o estabelecimento de relações lógicas entre os dados perceptivos, de modo a encontrar leis e teorias abstractas acerca da realidade.

Então adquire-se como premissa base que o conhecimento é o molde que o sujeito faz sobre a percepção e interpretação da realidade (objecto). Contudo esse molde estará sempre condicionado às características do sujeito, não queremos com isto dizer que todo o ponto de vista é valido sob esse condicionamento, pois acreditamos numa realidade objectiva, universal e absoluta. Simplesmente, cada sujeito, na ausência de uma melhor interpretação e percepção, toma por necessidade natural, a que julga ser, a mais próxima da realidade absoluta.

Continuação brevemente (…)

One Response to O que é o Conhecimento?

  1. 4zbruno diz:

    (processo ou situação) Cognitivo – Os processos cognitivos ou do conhecimento e os processos afectivos ou emocionais estão intimamente relacionados e constituem uma área de investigação que estuda temas, tais como a percepção, o pensamento, a memória, a inteligência natural e artificial (ligados ao conhecimento) e a motivação, a frustração e as emoções (ligados à afectividade).

    Fenomenologia – Estudo descritivo dos fenómenos que aparecem à consciência do sujeito, passíveis de serem apreendidos por intermédio da representação. A fenomenologia caracteriza-se pela actividade intencional que o sujeito realiza em direcção ao objecto com a finalidade dele se apropriar.

    Transcendente – Que está para além de; Designa o que está para além ou fora da natureza de algo. Os objectos que o sujeito pretende conhecer encontram-se fora da esfera deste, estão fora da natureza deste. Usa-se por oposição a imanente.

    Imanente – Inerente; Designa algo que está inseparavelmente contido na natureza de um ser determinado, transformando e produzindo efeito na sua própria interioridade. Usa-se por oposição a transcendente.

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