Nós somos vírus???

Esta noite deu um documentário na RTP2 com o nome de Caçadores de Vírus, que falava em como os vírus nos afectam e são importante no nosso dia a dia.

Antes demais vou explicar por alto o que é um vírus. Nem todos os vírus são maus para nós, os vírus existem em tudo o que nos rodeia, tocamos ou interagimos, quando nos falam de vírus lembramo-nos logo do vírus da gripe ou do HIV. Muitos deles são inofensivos e só afectam certos grupos de animais. Os vírus são básicamente estruturas proteicas que dependem das células para se multiplicarem, são por isso de tamanho muito inferior a uma célula. Existe ainda uma grande controvérsia sobre se os vírus serão sistemas vivos ou não pois não possuem um metabolismo próprio.
Os vírus são então transportados de alguma forma para as células compatíveis com o próprio vírus (contacto, inalação, ingestão ou através do sangue), aí estes injectam na célula hospedeira parte do seu genoma (RNA ou DNA) e enzimas virais, que, aproveitando a maquinaria celular extra, formam novos vírus que depois se espalham novamente pelo corpo, proliferando assim pelo organismo. A célula geralmente é destruida mas há casos em que isso não acontece.

Mas nem tudo é assim, descoberto em 1992, o MimiVírus, inicialmente pensou-se que se tratava de uma bactéria, mas só após novo estudo se descobriu que era um vírus, e um vírus muito peculiar… Este vírus é o
maior vírus conhecido até hoje, sendo também, o único vírus com propriedade de produzir as suas próprias proteínas e de reparar o seu genoma e até mesmo de se reproduzir sem necessitar de hospedeiro. No
mimivirus 90% dos seus genes são utilizáveis, apenas 10% são Junk DNA.
O Junk DNA são partes de ADN que foram utilizadas anteriormente na cadeia evolutiva e que desempenhavam funções que hoje não são necessárias para o desempenho do ser, mas que continuam a ser guardadas dentro da cadeia de ADN. Devido a todas estas características, o MimiVírus hoje em dia é considerado como um dos primeiros pilares para o desenvolvimento da vida na terra.

Vários cientistas hoje em dia crêem que através das mutações sofridas pelas células através dos vírus, estas desencadearam vários processos evolutivos.Imaginem uma célula com uma pequena alteração no seu ADN que a tornava cor-de-rosa em vês de amarela devido a um resíduo genético deixado por uma infecção virulenta após a qual esta se reproduzia e, às páginas tantas, este ser onde esta alteração se efectuou reproduz-se e passa o seu ADN, “mutante”, para a sua descendência, e assim sucessivamente, em 2 ou 3 gerações uma pequena mutação tornar-se-ia regra geral numa nova espécie.
Vários estudos corroboram esta tese. Num estudo usaram 2 tipos de um pequeno roedor chamado de Arganáz, o Arganáz do Monte e o Arganáz do Campo. O Arganáz do Campo tem a particularidade de ser monogâmico, isto é só tem uma parceira sexualmente activa durante toda a vida defendendo-a de investidas de outros machos e ignorando as outras fêmeas, enquanto que Arganáz do Monte tem várias, é poligâmico. Em laboratório injectou-se num Arganáz do Campo um vírus que inibia o efeito da vasopressina (próteina responsável pela fidelidade do macho) este após acasalar com a fémea já permitia a aproximação de outros machos à sua fémea. O contrário também se verificava nos Arganázes do Monte que foram injectados com um vírus que os alterava geneticamente para possuirem mais receptores de vasopressina. Com a alteração genética estes espécimes tornaram-se monogâmicos.

Outro estudo revela como um vírus é responsável pela junção de um feto de uma ovelha em estado embrionário com a parede uterina, e outro vírus ainda responsável pela criação da placenta, tão necessária para o nascimento dos mamíferos.

Posto isto, será que às paginas tantas da evolução um espécime do nosso antepassado comum como os restantes símios não sofreu uma alteração genética derivada dum vírus que nos permitiu evoluir até à espécie que somos hoje em dia? Será que parte da evolução não se baseou em modificações genéticas produzidas por estes pequenos seres?

Mútuo com João Teixeira.

2 Responses to Nós somos vírus???

  1. Joao Teixeira diz:

    Está bastante interessante esta abordagem aos Mimivírus.

    Talvez isto seja ainda mais uma prova da ocorrência da evolução das espécies.

    É bom sempre salientar, uma vez mais, que nós, quer como espécie quer como indivíduos, somos o resultado da interacção com tudo o que de resto há no mundo e em última instância no Universo.

  2. kiko diz:

    Eu também vi o programa, achei um trabalho muito válido,que pode esolicar muitas coisas na nossa evolução.

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