O fim do trabalhador…

Temos falado o máximo que conseguimos sobre criação de dinheiro, modelos sociais, superstições, religiões, especialmente sobre aqueles assuntos que só são acessíveis depois de muito cavar (acreditem que se não falamos mais foi por falta de tempo ou disponibilidade, nunca por falta de interesse). Tenho ainda muitos documentos e informação que gostaria de partilhar com vocês mas não vou postá-la quanto não a ler com mínimo detalhe. No entanto, podem contactar-me para vos passar qualquer coisa.

O que venho aqui falar hoje é exactamente sobre o ‘fim do trabalhador’..

Penso que é seguro dizer que o nosso modelo económico actual está mais do que condenado, só pela sua natureza. Relembro tags como ‘Money as Debt‘ e ‘Zeitgeist Addedum‘.

Pondo de parte por agora o porquê do nosso sistema financeiro estar condenado, e aceitando brevemente que poderá não estar, o nosso sistema social está condenado.. ou então, nós humanos estamos condenados se continuarmos a viver nele.

Como assim? A estratificação social é um síndrome irremediável da nossa sociedade actual. Haverá sempre bolsos pobres da sociedade enquanto mantivermos este sistema, de crédito e dívida.

Mas vamos partir do principio que o nosso sistema financeiro é ‘perfeito’ e estável. Mesmo que assim fosse o nosso sistema social estava (e está) condenado. Porquê? O ser humano vive, hoje em dia, na procura do dinheiro, a ganhar mais ou a ganhar menos, todos fazem o mesmo: trabalham e têm um salário. O sustento e sobrevivência de uma pessoa na nossa sociedade depende quase exclusivamente deste ciclo: trabalho e salário.

Mas há algo com que as pessoas não estão a contar, talvez já saibam mas ainda não tomaram a devida consciência da sua dimensão. Estou a falar da ocupação dos postos laborais pelas máquinas e pela tecnologia. O avanço tecnológico é inevitável, não se poderá travar, aliás travá-lo seria um erro. No entanto, segundo o modelo actual de sociedade, essa mesma tecnologia e autonomização está a condenar-nos. Praticamente todos os postos de trabalho da agricultura e da indústria foram substituídos pelos tractores e pelas linhas de montagem. Este acontecimento levou a um êxodo do trabalhador para o sector dos serviços, balcões e relacionados. Agora perguntem-se: e quando a tecnologia permitir uma autonomia completa também neste sector? Para onde irão as pessoas trabalhar?

Muito longe da nossa realidade? Nem por isso.. os supermercados já começaram a implementar máquinas automáticas de registo onde os próprio clientes registam e pagam as suas compras, sem necessidade de um empregado de caixa. As portagens já estão a adoptar o mesmo modelo. Por enquanto está em fase inicial mas quando se instaurar por completo, acho que é seguro dizer que os postos de trabalho nestes sectores serão reduzidos, pelo menos, para 1/5. Isto é um cenário terrífico para os dias de hoje, ou para quaisquer dias em que o modelo social actual perdure.

No entanto, faz todo o sentido autonomizar este tipo de serviços e libertar as pessoas de trabalhos tão repetitivos e pouco gratificantes com ‘caixa’ de supermercado. Estamos numa fase da nossa sociedade em que os medos de hoje serão a salvação de amanha. Nomeadamente, a evolução tecnológica e a autonomização dos serviços.

Gostaria de deixar aqui, neste dia do trabalhador, o alerta para a necessidade de se olhar para modelos sociais diferentes. Para a compreensão de que o nosso modelo social não é perfeito nem tão pouco é eterno. Na verdade o nosso modelo social é apenas muito recente e, espero, representará apenas uma fase da sociedade nos futuros livros de história. Não trará frutos tentarmos corrigir o modelo presente, temos de quebrar completamente com o mesmo, procurar e imaginar novas alternativas.

Acredito que, a nossa sociedade primeiro-mundista apenas existe porque as pessoas ainda não se aperceberam que muitos dos seus sorrisos só são possíveis porque há choros no terceiro-mundo.

Por-mos o ego de parte e pensarmos em nós como uma única sociedade. Para isso é necessário quebrar todas as superstições, todos os ideais passados e abrir o cérebro ao futuro, relembrar que a vida não fica estática aos 25 anos. Que a partir dos 30 não estamos à espera da morte. A vida é todo um processo dinâmico e não devemos bloquear o cérebro a esse processo, nunca.

http://thezeitgeistmovement.com/

http://www.thevenusproject.com/

4 Responses to O fim do trabalhador…

  1. Kalenda diz:

    Como um pouco de Ficção não faz mal a ninguém, aqui vai …

    A quebra dos actuais modelos economicos/sociais/politicos irá começar quando se “autonomizarem” os centros de decisão económica. O processo de mudança irá ter lugar logo que as máquinas tenham “AI” suficiente para a tomada de grandes decisões.

    Estes “Tech-Oráculos” servirão para avaliar as decisões, não só as presentes como as passadas, adoptadas pelos grandes decisores humanos e levar á avaliação dos mesmos, daqui a serem substituidos pelos “Tech-Oráculos” será um passo muito curto.

    Os nossos grandes decisores na esperança de se manterem próximos do poder irão querer passar a ser os “mensageiros” destes “Tech-Oráculos”, se bem que duvido que consigam ocupar o cargo por muito tempo.

    Fiquem bem …

    P.S. Que pena não termos agora uma maquineta destas e vêr no que vai dar a construção do TGV e novo aeroporto.

  2. Francis Alisson diz:

    Existe um livro EXCELENTE de título – O Horror Econômico – de uma romancista francesa que eu não me recordo o nome neste momento. Apesar de romancista ela esclarece este assunto. Nos termos dela, não é uma questão de avanço tecnologico, apesar do mesmo existir, mas sim de avanço no lucro.

    O livro é de meados dos anos 90, e o interessante é que ela “previu” a “crise econômica” de hoje em dia, mas na idéia dela é apenas uma crise farsamente criada para diminuir os salários, demitir pessoas e alterar o nosso estilo de vida, no que tange ao trabalho e emprego.

    Desculpe não poder explicar melhor o assunto, mas acredito que ela esta certa. O Horror Econômico, é um clássico pra mim. Esclarecedor, assim como o Zeitgeist.

    Abrasssss

  3. Boas,

    “mas na idéia dela é apenas uma crise farsamente criada para diminuir os salários, demitir pessoas e alterar o nosso estilo de vida,”

    eu encaixo esta frase que disseste na premissa de que, ”para um governo mundial um planeta com uma população muito grande não é favorável. Pelo que políticas de redução populacional devem ser adoptadas.”

    Por muito absurdo que isto possa parecer, é assim que se está a passar em alguns países, a China como o exemplo mais marcante. Mas há registos da intenção de passar essa política para os restantes países do mundo. Onde o máximo de dois filhos por casal seria o permitido. Com esta política a população mundial ficaria reduzida para quase metade em apenas uma geração, pouco mais.

    Se a crise for mesmo um farsa criada para diminuir a capacidade das pessoas de governar as suas vidas e de as tornar ainda mais manipuláveis… se aceitarmos isso… então estamos a ir ainda mais longe do que alguma vez se foi aqui neste blog. Por muito absurdo que possa parecer o vou dizer agora… já começo a estar preparado para aceitar que quem manda pensa assim. Mas repugna-me a ideia, e muito mais a ideia de estas políticas virem a ser levadas a cabo.

    Mas sem pensar muito, eles nem precisam de implementar nenhuma lei nem política.. o nosso estilo de vida mal dá para pensar em mais do que isso.

    Abraço

  4. *************************
    Robot farmhands prepare to invade
    the countryside
    New Scientist Tech June 1, 2009
    *************************
    Mobile agricultural robots are a
    real possibility in the near future,
    says Tony Stentz, an engineer at
    Carnegie Mellon University’s
    robotics institute. They can cope
    with complex outdoor environments,
    the price of production has fallen,
    and society should now see robot
    laborers as a benefit, not a curse.
    Tree-reading machines could record…
    http://www.kurzweilai.net/email/newsRedirect.html?newsID=10683&m=17666

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